in

Fábio Porchat chama críticos evangélicos de ‘maçãs podres’ e ‘milicianos da fé’

O ator Fábio Porchat do grupo Porta dos Fundos concedeu uma entrevista ao site da Revista Veja, na qual falou sobre os diversos embates que o grupo tem travado com lideranças religiosas no Brasil.

Publicidade

Os especiais de Natal do Porta dos Fundos evidenciam um conhecimento bíblico. Como é sua relação com a Bíblia e a religião? Tenho muito interesse por religiões. Não fui criado em nenhuma, mas visitava cultos e missas com frequência. Sou racional, então me deixa curioso essa coisa da fé de abrir mão da lógica para seguir sentimentos. Para o filme, li o Novo Testamento com cuidado. Mas prefiro o Antigo, que tem histórias muito loucas: animal que fala, gente que corta prepúcio…

A fé cristã é um assunto caro a muitos brasileiros. É correto fazer piadas sobre o tema? Com certeza. O Brasil é um país cristão. Comédia é identificação, você ri do que conhece. Já fizemos piadas com ateu, umbandista, muçulmano — que era um terrorista gay, aliás, e não tivemos problema. Passei o novo roteiro por dois pastores para ver se tinha algo sensível, e eles não mudaram nada. No Porta, temos pessoas de todo tipo de fé. Aliás, acho injusto quando dizem “os evangélicos fizeram tal coisa”. Evangélicos são legais. O termo correto para essa gente é milicianos da fé. São maçãs podres que se valem de Jesus e do sofrimento alheio para enriquecer e se eleger. São os “Crivellas” da vida.

Publicidade

Já teve receio de interpretar Jesus? Que nada, eu adoro! Para mim, Jesus é um personagem, como a Pequena Sereia, Cleópatra… É meio lendário, meio mítico. Eu acho Jesus um baita cara legal, um revolucionário. Há 2 000 anos ele pregava o amor, numa época em que era olho por olho. Um cara que andava com leprosos, prostitutas e parou um apedrejamento. Ele vivia com os marginalizados. Pregou o amor, e não o ódio. Se voltasse hoje, Jesus não voltaria como um homem branco, hétero, cis, europeu. Ele seria uma mulher, seria preto, seria uma minoria. Voltaria para nos ensinar a tolerar o próximo fora do padrão, o diferente. E as pessoas não estão prontas para isso. Fizemos um especial que insinuava que Jesus foi tentado por um demônio gay e jogaram bomba na gente.

Muitas figuras neste novo especial são associáveis a nomes da política atual. Como foi compor esses personagens? O cuidado foi não personalizar as figuras bíblicas. Jesus não é ninguém. Não é o Lula, nem a Dilma, nem o Bolsonaro. Jesus é uma pessoa julgada e assassinada brutalmente. Eu fugi de comparações literais. Quando tem a cena com o PowerPoint apontando para Jesus, é só uma referência da nossa realidade. Não é um filme de esquerda ou de direita. As vozes mais agressivas são os minions locais. É o que vemos hoje: o cidadão de bem que apoia milícia. Essas incongruências de uma sociedade em um momento bastante peculiar.

Publicidade

Publicidade

Padre promovia orgias com homens musculosos em paróquia de SP, diz denúncia

Cavalo é jogado de ponte por não conseguir completar romaria em PE e revolta